Thursday, May 22, 2008

Letárgico

A minha cabeça dói muito. Como se a chuva que caiu durante todo o dia tivesse caído sobre ela a uma velocidade vertiginosa. Pouco ou nada sei sobre as pessoas que vivem lá fora, ou sobre os abismos que se perfilam diante dos meus olhos. A minha cabeça dói muito. Os meus olhos doem muito. A minha letargia torna-se, por vezes, numa forma de estar e confesso já não ter mão nela. Já não tenho mão em mim. Nem na minha incurável demência.

All the way down

You have broken me all the way down,
down upon my knees.
And you have broken me all the way down,
you'll be the last, you'll see.

Some fight you gave,
and I pushed you away
from me.

And in the morning when you turn in
I'll be far to sea.

And you have broken me all the way down.
You'll be the last, you'll see.

And what chance have we got
when you've missed every shot
for me?

And in the morning when you turn in
I'll be out of reach.
And in the darkness when you find this
I'll be far to sea.

And you have broken me all the way down.
You'll be the last, you'll see.


All The Way Down - Glen Hansard


Fantástica música.

Friday, May 16, 2008

Com o tempo os olhares mudam, as visões mutilam-se nos bolsos sujos. Já não sei descrever as ruas que pisavas nessa altura.

Friday, May 02, 2008

Egoísmo


A alegria dos outros enjoa-me nestes dias pensados.

Wednesday, April 02, 2008

Masochistic Instrument

Masochistic Instrument by Salvador Dali

...

Não me perguntem nada... O meu silêncio valeu mais que mil Palavras.

Friday, January 11, 2008

Oco

"Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam..."

(Shakespear)

Friday, December 21, 2007

Christmas

A nostalgia bate-me à 'personal-door' todos os anos. Não sei onde pára o Natal. Há muito que o perdi.


Desejo-vos que o encontrem, que o vivam em pleno. Se souberem.

Tuesday, November 27, 2007

Ontem:

- Arregalados.
- O primeiro.
- Palavras.
- Ausência de palavras.
- Chamadas. Inumeras.
- Mensagens. Inumeras.
- Ausência da chamada.
- Ausência da mensagem.
- Folhas.
- Capa preta. Fechada.
- O último.
- Mensagem. Errada.
- Não vem.
- Tindersticks.
- E-mail. Errado.
- Fixos. Imóveis.
- "Please don't cry. Everything's gonna be alright"
- Silêncio.

Wednesday, November 21, 2007

- Vais...(?)
- Vou.

Um silêncio ensurdecedor.

Thursday, November 08, 2007

14

Chego agora ao final do dia. São 14.

Tuesday, October 30, 2007

Ghost

Os fantasmas descansam no limiar da porta. Todas as manhãs me sopram ao ouvido. Sopros gélidos.
Vultos. Uma orgia de vultos no meu império de vidro. Vultos que dançam. Dançam uma valsa infernal em bicos de pés. Sinto as pontas dos dedos calejados tocarem-me as veias, enquanto observo as sombras movediças na parede branca.
Senta-te. Assiste. São fantasmas que sopram. Sopros-Vida.

Between

Today: between Diamanda Galás & Sisters Of Mercy. :)

Tuesday, October 23, 2007

Sim, eu lembro-me dessas manhãs em que não havia linha que me fizesse desacreditar.

Where are you when I need you?

Thursday, October 11, 2007

Be spelled


Stay under the Moon!

Homem traçado

“Você tem um caminho traçado e uma meta a cumprir. Se você deixar esse caminho para trás os seus objectivos murcham”

Disseram-me no comboio. A ousadia de um desconhecido.

Friday, October 05, 2007

Tuesday, September 25, 2007

Luminosidades

Os pedacinhos de luz feriram-me os olhos esta manhã. Trespassaram a persiana como se me quisessem amordaçar. Rasgaram-me. Rasgaram-me devagarinho, até eu ganhar coragem para os engolir e sentir a vertiginosa velocidade matinal.
Saudades dos dias em que a tepidez da almofada não tinha sabor.

Monday, September 10, 2007

Viver sobre palavras

Hoje no regresso à invicta, deparei-me com um comboio cheio. Abandonei Braga e sentei-me junto à janela para poder ver a paisagem. Refugiei-me no meu Ipod para me certificar que não ouviria vozes desconhecidas ou conversas despropositadas.
A meio da viagem, entrou um indivíduo que me parecia ter aspecto de ser professor de Língua Portuguesa ou de alguma disciplina ligada a línguas. Sentou-se a meu lado e tirou um livro de uma mala preta. Não me lembro do título, mas como no momento me despertou algum interesse não resisti a devorar as breves palavras que o meu olhar conseguiu alcançar: “Ler é escrever, é viver, é ler, é escrever”. Reli-as várias vezes até o homem passar à página seguinte e por fim, apontei-as. Consegui também captar uma imagem isolada numa página em branco. Pareceu-me a figura de uma mulher esculpida, mas não a consegui registar com perfeição na minha memória.
Neste momento tenho a mente possuída pelas palavras. Sinto-as fazer eco vezes sem conta, como se estivessem presas numa divisão vazia. Resta-me agora dormir sobre elas, e exorcizá-las até ao mais ínfimo pormenor...

A mulher de gelo

Senti a tarde de Sábado pesada, escura como há meses não a avistava. Sobre a minha cabeça, um céu fosco pintado de cinzento que pousava sobre um mar de tom invernal.
Extasiei ao ver a sua convicção perfurar o banco de pedra. Ainda sinto as palavras a rasgarem-me o peito. A saliva guardada durante anos a fluir a cada gesto. As ruínas que eu desconhecia a caírem aos meus pés a uma velocidade asfixiante. Senti-me desfalecer, enquanto lhe dava a asas para pincelar a sua frieza na tela obsoleta. Desfaleci até me tornar num vulto oco perante os seus olhos gelados. Na esperança que se anoitecesse, um raio de sol ousa-se esfaquear a sua clarabóia...