Os fantasmas descansam no limiar da porta. Todas as manhãs me sopram ao ouvido. Sopros gélidos.
Vultos. Uma orgia de vultos no meu império de vidro. Vultos que dançam. Dançam uma valsa infernal em bicos de pés. Sinto as pontas dos dedos calejados tocarem-me as veias, enquanto observo as sombras movediças na parede branca.
Senta-te. Assiste. São fantasmas que sopram. Sopros-Vida.
Tuesday, October 30, 2007
Tuesday, October 23, 2007
Thursday, October 11, 2007
Homem traçado
“Você tem um caminho traçado e uma meta a cumprir. Se você deixar esse caminho para trás os seus objectivos murcham”
Disseram-me no comboio. A ousadia de um desconhecido.
Disseram-me no comboio. A ousadia de um desconhecido.
Friday, October 05, 2007
Tuesday, September 25, 2007
Luminosidades
Os pedacinhos de luz feriram-me os olhos esta manhã. Trespassaram a persiana como se me quisessem amordaçar. Rasgaram-me. Rasgaram-me devagarinho, até eu ganhar coragem para os engolir e sentir a vertiginosa velocidade matinal.
Saudades dos dias em que a tepidez da almofada não tinha sabor.
Saudades dos dias em que a tepidez da almofada não tinha sabor.
Monday, September 10, 2007
Viver sobre palavras
Hoje no regresso à invicta, deparei-me com um comboio cheio. Abandonei Braga e sentei-me junto à janela para poder ver a paisagem. Refugiei-me no meu Ipod para me certificar que não ouviria vozes desconhecidas ou conversas despropositadas.
A meio da viagem, entrou um indivíduo que me parecia ter aspecto de ser professor de Língua Portuguesa ou de alguma disciplina ligada a línguas. Sentou-se a meu lado e tirou um livro de uma mala preta. Não me lembro do título, mas como no momento me despertou algum interesse não resisti a devorar as breves palavras que o meu olhar conseguiu alcançar: “Ler é escrever, é viver, é ler, é escrever”. Reli-as várias vezes até o homem passar à página seguinte e por fim, apontei-as. Consegui também captar uma imagem isolada numa página em branco. Pareceu-me a figura de uma mulher esculpida, mas não a consegui registar com perfeição na minha memória.
Neste momento tenho a mente possuída pelas palavras. Sinto-as fazer eco vezes sem conta, como se estivessem presas numa divisão vazia. Resta-me agora dormir sobre elas, e exorcizá-las até ao mais ínfimo pormenor...
A meio da viagem, entrou um indivíduo que me parecia ter aspecto de ser professor de Língua Portuguesa ou de alguma disciplina ligada a línguas. Sentou-se a meu lado e tirou um livro de uma mala preta. Não me lembro do título, mas como no momento me despertou algum interesse não resisti a devorar as breves palavras que o meu olhar conseguiu alcançar: “Ler é escrever, é viver, é ler, é escrever”. Reli-as várias vezes até o homem passar à página seguinte e por fim, apontei-as. Consegui também captar uma imagem isolada numa página em branco. Pareceu-me a figura de uma mulher esculpida, mas não a consegui registar com perfeição na minha memória.
Neste momento tenho a mente possuída pelas palavras. Sinto-as fazer eco vezes sem conta, como se estivessem presas numa divisão vazia. Resta-me agora dormir sobre elas, e exorcizá-las até ao mais ínfimo pormenor...
A mulher de gelo
Senti a tarde de Sábado pesada, escura como há meses não a avistava. Sobre a minha cabeça, um céu fosco pintado de cinzento que pousava sobre um mar de tom invernal.
Extasiei ao ver a sua convicção perfurar o banco de pedra. Ainda sinto as palavras a rasgarem-me o peito. A saliva guardada durante anos a fluir a cada gesto. As ruínas que eu desconhecia a caírem aos meus pés a uma velocidade asfixiante. Senti-me desfalecer, enquanto lhe dava a asas para pincelar a sua frieza na tela obsoleta. Desfaleci até me tornar num vulto oco perante os seus olhos gelados. Na esperança que se anoitecesse, um raio de sol ousa-se esfaquear a sua clarabóia...
Extasiei ao ver a sua convicção perfurar o banco de pedra. Ainda sinto as palavras a rasgarem-me o peito. A saliva guardada durante anos a fluir a cada gesto. As ruínas que eu desconhecia a caírem aos meus pés a uma velocidade asfixiante. Senti-me desfalecer, enquanto lhe dava a asas para pincelar a sua frieza na tela obsoleta. Desfaleci até me tornar num vulto oco perante os seus olhos gelados. Na esperança que se anoitecesse, um raio de sol ousa-se esfaquear a sua clarabóia...
Tuesday, September 04, 2007
Mancha Lunar

Rasguei-me para mais uma vez sentir Moonspell. Como faço sempre que os ouço, como só assim o sei fazer.
Um Coliseu banhado ao sangue mais puro, rendido à Lua que nos dias mais pavorosos me faz sonhar e me enverniza as arestas. A maré negra que me fez abrir o livro para mais uma vez registar uma mancha translúcida.
Soube-me a nu, a negrume genuíno.
Great lessons learned, upon the blood of men.
Um Coliseu banhado ao sangue mais puro, rendido à Lua que nos dias mais pavorosos me faz sonhar e me enverniza as arestas. A maré negra que me fez abrir o livro para mais uma vez registar uma mancha translúcida.
Soube-me a nu, a negrume genuíno.
Great lessons learned, upon the blood of men.
Photo by: Carlos Ferreira
Saturday, September 01, 2007
Ritual vergonhoso
Wednesday, August 22, 2007
Tuesday, August 14, 2007
Underwater
CineMuerte
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Tuesday, July 24, 2007
Poço cristalino
“a roupa molhada, o Stop da GNR comigo molhada dos pés à Cabeça na A5”. Leio isto no Blog da Sophia (cinemuerte).
Reporto-me ao Verão de 2006. Oito corpos a deambularem sob um Sol tórrido que nos perfurava os ossos e se manifestava nos nossos poros. Caminhávamos para uma praia sem reservas, livres de expectativas, planos ou vontades.
Os pés ainda calçados na areia fina, fervorosa. Um mar aliciante numa tela pintada de sensações. O vento que nos abafava em beijos longos. Mais tarde, os ténis e as havaianas espalhados. A proposta. Senti as mãos sobre a anca, e entre gargalhadas primorosas e olhares incógnitos, caí sobre um poço cristalino, gelado. Oito corpos mergulhados, indiferentes aos olhares e comentários alheios.
Era eu, no meu vago senso de liberdade. Deitada sobre a areia com as calças de ganga extremamente pesadas e o top preto encharcado de água dissolvente. Dissolvente das minhas memórias, das tuas, das nossas. O sol libertino a lamber-me as arestas. Os espectadores minimizados à mais insignificante partícula, ao estatuto merecido.
O regresso. Os olhares incrédulos. A minha indiferença perante eles. Os meus fios de cabelo que pingavam pequenas gotas de vida, a minha roupa ensopada que nem o calor se atrevia a sentir. Os cafés e as esplanadas a abarrotarem de esqueletos-parasitas sem vontade própria. As ruas que nos eram tão óbvias como as veias das nossas mãos.
O fim de tarde. As escadas em direcção às paredes que diariamente me acolhem o sono. Um banho quente. E um amanhã é outro dia, como só assim o poderia ser…
Reporto-me ao Verão de 2006. Oito corpos a deambularem sob um Sol tórrido que nos perfurava os ossos e se manifestava nos nossos poros. Caminhávamos para uma praia sem reservas, livres de expectativas, planos ou vontades.
Os pés ainda calçados na areia fina, fervorosa. Um mar aliciante numa tela pintada de sensações. O vento que nos abafava em beijos longos. Mais tarde, os ténis e as havaianas espalhados. A proposta. Senti as mãos sobre a anca, e entre gargalhadas primorosas e olhares incógnitos, caí sobre um poço cristalino, gelado. Oito corpos mergulhados, indiferentes aos olhares e comentários alheios.
Era eu, no meu vago senso de liberdade. Deitada sobre a areia com as calças de ganga extremamente pesadas e o top preto encharcado de água dissolvente. Dissolvente das minhas memórias, das tuas, das nossas. O sol libertino a lamber-me as arestas. Os espectadores minimizados à mais insignificante partícula, ao estatuto merecido.
O regresso. Os olhares incrédulos. A minha indiferença perante eles. Os meus fios de cabelo que pingavam pequenas gotas de vida, a minha roupa ensopada que nem o calor se atrevia a sentir. Os cafés e as esplanadas a abarrotarem de esqueletos-parasitas sem vontade própria. As ruas que nos eram tão óbvias como as veias das nossas mãos.
O fim de tarde. As escadas em direcção às paredes que diariamente me acolhem o sono. Um banho quente. E um amanhã é outro dia, como só assim o poderia ser…
Thursday, July 12, 2007
Tuesday, July 10, 2007
Tormento
Por vezes faltam-me palavras que o invadam com ousadia. Que invadam esse que por vezes se torna num tormento: o Silêncio.
Não vou fazer comentários aos concertos de dia 27 e 28 de Junho. Há despertares que prefiro guardar no egoísmo da caixinha. But anyway, everybody knows that I love them to death...
Não vou fazer comentários aos concertos de dia 27 e 28 de Junho. Há despertares que prefiro guardar no egoísmo da caixinha. But anyway, everybody knows that I love them to death...
Wednesday, June 27, 2007
Type O Negative + [F.E.V.E.R.]
Estámos a poucas horas de ter um Coliseu em Sangue!
Apareçam também para a 1ª parte com os [F.E.V.E.R.], vai valer muito a pena!
:)
Super Bock Super Rock
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