Suzanne Vega - Luka
(...)
Yes I think I'm okay
Walked into the door again
Well, if you ask that's what I'll say
And it's not your business anyway
I guess I'd like to be alone
With nothing broken, nothing thrown
Just don't ask me how I am
Thursday, June 07, 2007
Wednesday, June 06, 2007
Aquisições
Aquisições de Domingo:
"Diálogo de Vultos" Fernando Ribeiro
"A Campânula de Vidro" Sylvia Plath
No prazer daquele atraso ... :)
"Diálogo de Vultos" Fernando Ribeiro
"A Campânula de Vidro" Sylvia Plath
No prazer daquele atraso ... :)
Sunday, June 03, 2007
77º Feira do Livro do Porto
Monday, May 28, 2007
Porque é que tu és grande?
- Prima, senta aqui comigo.
Sentei-me.
- Prima, tu és grande. Porque é que tu és grande?
Fiquei segundos em silêncio. Era uma criança de quatro anos a pôr-me uma questão tão simples mas que ao mesmo tempo me soava tão rica. Por fim respondi-lhe:
- Porque sou mais velha que tu. Mas um dia tu também vais ser grande.
Olhou-me com ar desconfiado, de quem não tinha certezas de acreditar no que lhe tinha dito.
Por vezes ele transporta-me para uma espécie de grandeza em ponto pequeno.
Sentei-me.
- Prima, tu és grande. Porque é que tu és grande?
Fiquei segundos em silêncio. Era uma criança de quatro anos a pôr-me uma questão tão simples mas que ao mesmo tempo me soava tão rica. Por fim respondi-lhe:
- Porque sou mais velha que tu. Mas um dia tu também vais ser grande.
Olhou-me com ar desconfiado, de quem não tinha certezas de acreditar no que lhe tinha dito.
Por vezes ele transporta-me para uma espécie de grandeza em ponto pequeno.
Thursday, May 24, 2007
Diálogo de Vultos
Diálogo de vultos"Deita-te nua de ti
No mármore frio do meu corpo.
Teus olhos fechados sobre o eclipse dos meus.
Seca os teus lábios
Na feridas dos meus
E deixa-te estar quieta: Até estas palavras passarem,
Até às sombras se calarem
E o nosso amor silenciar de vez
Este diálogo de vultos."
Fernando Ribeiro
Aparte: O Fernando Ribeiro vai estar na Feira do Livro em Lisboa (Parque Eduardo VII) dia 2 de Junho pelas 18:30, e no Porto (Palácio de Cristal) dia 3 de Junho pelas 17 horas .
No mármore frio do meu corpo.
Teus olhos fechados sobre o eclipse dos meus.
Seca os teus lábios
Na feridas dos meus
E deixa-te estar quieta: Até estas palavras passarem,
Até às sombras se calarem
E o nosso amor silenciar de vez
Este diálogo de vultos."
Fernando Ribeiro
Aparte: O Fernando Ribeiro vai estar na Feira do Livro em Lisboa (Parque Eduardo VII) dia 2 de Junho pelas 18:30, e no Porto (Palácio de Cristal) dia 3 de Junho pelas 17 horas .
Tuesday, May 22, 2007
A Mais Bonita És Tu
Para aqueles que tal como eu apreciam diferentes formas de arte, ou simplesmente para os mais curiosos, fica aqui a sugestão:
"A Mais Bonita És Tu"
"A Mais Bonita És Tu"
Fotos de Federico Patellani.
Em exposição até dia 20 de Junho na Galeria Fotográfica - Fnac Gaia Shopping.
Monday, May 21, 2007
Thursday, May 17, 2007
Experiência da Morte
Lembro-me na perfeição da rotina diária que mantinha. A porta batia e eu pequena, frágil e sonolenta, corria para o pequeno quarto sem janelas, saltava para cima da cama e mergulhava nos seus braços onde ela me aconchegava e me fazia crer que o mundo era perfeito. Tão perfeito como um quadro de Picasso, livre a interpretações que não podem ser julgadas.
Não gostava que lhe chamassem Paula. Dizia sempre: “Não me chamem Paula! Paula enche muito a boca! Paula! Eu chamo-me Aurora!”. Era a minha bisavó. A minha doce e eterna bisavó: Aurora. A Senhora idosa que delirava e soltava gargalhadas enquanto via Rugby ou Boxe. A que toda a gente adorava pela sua simplicidade e alegria. A que rasgava em mim o maior dos sorrisos.
Devia ter os meus quatro anos quando a experiência da morte me bateu à porta. O eterno descanso da Alma.
Nunca vou esquecer a sua face pálida e o momento em que o ar lhe fugiu. Fiquei imóvel e completamente impotente perante o desespero nos olhos da minha avó, que com um pequeno espelho constatava que a sua respiração havia parado.
Às vezes ainda lhe sinto o cheiro. Às vezes ainda fecho as cortinas e quando as abro: chove.
Não gostava que lhe chamassem Paula. Dizia sempre: “Não me chamem Paula! Paula enche muito a boca! Paula! Eu chamo-me Aurora!”. Era a minha bisavó. A minha doce e eterna bisavó: Aurora. A Senhora idosa que delirava e soltava gargalhadas enquanto via Rugby ou Boxe. A que toda a gente adorava pela sua simplicidade e alegria. A que rasgava em mim o maior dos sorrisos.
Devia ter os meus quatro anos quando a experiência da morte me bateu à porta. O eterno descanso da Alma.
Nunca vou esquecer a sua face pálida e o momento em que o ar lhe fugiu. Fiquei imóvel e completamente impotente perante o desespero nos olhos da minha avó, que com um pequeno espelho constatava que a sua respiração havia parado.
Às vezes ainda lhe sinto o cheiro. Às vezes ainda fecho as cortinas e quando as abro: chove.
Sunday, May 06, 2007
Um mal nunca vem só
E porque um mal nunca vem só... Estou constipada.
New parterns in the crime: Cêgripe e Mebocaína.
New parterns in the crime: Cêgripe e Mebocaína.
Friday, May 04, 2007
Dia ganho
Tenho o dedo mindinho da mão esquerda completamente inchado, pisado e negro. E em frente a mim está aquele que vai ser o meu companheiro nos próximos dias: o Hirudoid.
"Dia ganho"... Muito mal ganho...
"Dia ganho"... Muito mal ganho...
Monday, April 30, 2007
O Mundo
O Mundo não gira na mesma direcção para toda a gente.
Não há modo quando se trata de carne...
Não há modo quando se trata de carne...
Saturday, April 28, 2007
Tentativas
Há alturas em que não há nada que me consiga divirtir mais do que ver alguém a tentar divertir-me.
Tks Kenji :)
Tks Kenji :)
Tuesday, April 24, 2007
Sunday, April 22, 2007
Destino
Presenteio-vos hoje com um texto do João Vieira. Do meu querido João Vieira.
Nunca soube nem nunca quis resistir à escrita dele. O João vomita arte pelas mãos.
Destino
"Subo os degraus da escadaria imensa. Chego ao piso último e escolho seguir pela esquerda, apenas pelo aspecto menos limpo do chão, sinal que outros escolheram na sua maioria também aquela direcção. Continuo vagueando por caminhos mais percorridos, mas não havia ninguém. As marcas dos muitos sapatos que pisaram o mesmo chão eram visíveis sem grande esforço; as paredes continuavam marcadas com a sola de alguém sem maneiras; as beatas ainda fumegavam nos cinzeiros; os salpicos de água no chão à saída de uma casa de banho - possivelmente sem toalhas - estavam ainda húmidos; um jornal esquecido com a data de hoje jazia no canto; tudo o resto se assemelhava a desarrumo desculpado por uma saída por densos motivos inesperados.
Sufoco pela ideia de não ter ideia do que se passara. Saio à rua e o mesmo cenário se me apresenta, mas menos discreto. Os aromas do café e da padaria são incoerências de um registo contínuo; a pilha de jornais de hoje ainda empacotados à porta do vendedor irresponsável que adormecera e se atrasara são-no também. E tudo o resto, mas na proporção macabra do terror psicológico que mais assusta.
A vida esgotara-se com a celeridade de um relâmpago que avisa depois, com estrondo, e desta vez pediu mais do que a bateria que nos acciona: pediu o corpo.
Entretido com a agonia evidente, só mais tarde ganho consciência que escapara ao mesmo destino, mas não acredito e decido procurar alguém mais. Escolho ir aos sítios que poucos escolhem em situação normal na esperança do destino sofrer do mesmo complexo. Engano-me, ninguém escapara…
Olho perplexo para a bicicleta no meio da rua e especulo o momento em que a vida desapareceu e a inércia se equivocou, deixando o trabalho da busca de equilíbrio à gravidade: a vida sumira e no mesmo instante a bicicleta em movimento pousara apenas. O horror aumenta quando olho o relógio e me apercebo que àquela hora, no café da esquina, na terceira mesa junto à janela, estaria a rapariga que na mesma rotina aprecio romanticamente.
Paro para pensar, mas descontrolo-me cada vez mais. As especulações e as ideias do sucedido e pior, do que sucederia agora, atormentam-me. Estaria condenado a germinar no único centímetro fértil da planície? As condições necessárias à vida pareciam garantidas: água, comida, luz e tudo o mais que não adivinho até que chegue a altura. Regresso a casa e deito-me na cama. Talvez tudo seja um sonho apenas, que não passará de uma recordação esboçada quando acordar.
Acordo. Ainda sonolento e sem posse das faculdades mentais superiores inicio uma rotina inconsciente: vou à casa de banho, vou depois à cozinha comer algo rápido e sento-me no sofá. Decido ler um livro, como é hábito e lembro-me do
sonho. Sorrio sarcasticamente e pego no livro que leio durante largos minutos.
Já faz tarde, é hora de jantar, e aos sábados espera-me sempre o prato do dia do restaurante da esquina. Saio à rua e o sonho ignorado ainda lá estava: as ruas continuavam desertas… Não compreendo porque fora condenado a tal sofrimento. Pior que a vida nos ser retirada num segundo é provocar-nos o suicídio, fazer-nos sentir culpados (…)
Deixo-me cair no chão sem qualquer reacção que amoleça a queda e desenterro todas as respostas de forma lúcida e sei porque escapara: há muito que havia decidido morrer e limitara-me apenas a devaneios sem solução e a alimentar o meu corpo com a indiferença de quem rega um cacto de mês a mês. O destino não se enganara: conhecia-me profundamente…"
Friday, April 20, 2007
Sunday, April 15, 2007
A nu. A cru.
Apetece-me tudo a cru. Apetece-me a bola de lã negra (ou branca), totalmente desenrodilhada e os vidros limpos. O timbre tremulo e perfeito, a genuinidade em carne.
Apetece-me tudo a nu. O bloco de notas em branco, a heroicidade do singular, a agulha na veia certa.
Quero ver o disco de vinil unicamente preenchido de negrume e brilho já obsoleto, sem qualquer risco. Quero o auto-sopro oscilante sobre a alma ofuscada.
Esta noite: apetece-me o nirvana. O murro de ar. O murro silencioso.
Apetece-me tudo a nu. O bloco de notas em branco, a heroicidade do singular, a agulha na veia certa.
Quero ver o disco de vinil unicamente preenchido de negrume e brilho já obsoleto, sem qualquer risco. Quero o auto-sopro oscilante sobre a alma ofuscada.
Esta noite: apetece-me o nirvana. O murro de ar. O murro silencioso.
Thursday, April 12, 2007
Saturday, April 07, 2007
Friday, April 06, 2007
O Primeiro
Senti o frio a cortar-me a pele e a penetrar-me o esqueleto. Estava com vontade de hibernar. Tinha a sensação de que os meus lábios estavam roxos e sentia as mãos a cada segundo mais gélidas. Era como se a cidade absorvesse todo o calor, como se fosse uma droga da qual era totalmente dependente.
Deixei-me ser engolida por tudo o quanto me rodeava e sorri. Esperavam-me cinco dias de promessas, de surpresas, de dor. De boa dor.
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